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sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Gramática Essencial da Língua Portuguesa: 15. Sinais de pontuação



15.1. Vírgula

Indica uma pausa pequena, deixando o voz em suspense à espera da continuação do período.
Usa-se vírgula:

1) Para destacar elementos intercalados, como:

a) Uma conjunção.

Trabalhamos bastante, logo, devemos ser remunerados.

b) Um adjunto adverbial.

Estes rapazes, sem dúvida, devem ser transferidos.

c) Isola o aposto do termo fundamental.

Marcos, o capitão do time, foi o primeiro a entrar.

d) Uma expressão explicativa.

Ninguém se responsabilizou pelo atentado; isto, aliás, já se tornou comum naquele lugar.

e) Isola os vocativos.

“ Sim, leitor benévolo, e por esta ocasião te vou explicar como nós hoje em dia fazemos a nossa literatura.”

2) Para destacar um adjunto adverbial que venha no inicio da frase.

No final das aulas, todos saíram apressadamente.

3) Para destacar os pleonasmos antecipados ao verbo.

Os meninos, eu os vi no jardim.

4) Para separar orações subordinadas adverbiais, sobretudo quando vêm antes da principal.

Quando saímos, a chuva já tinha começado.

5) Para separar as orações adverbiais reduzidas, que vem antes da principal.

Dado o sinal, todos partiram alegres.

6) Para isolar as orações subordinadas adjetivas explicativas.

Ex.: O velho capitão, que ainda tinha o passo firme, recebeu-nos a bordo.

15.2. Ponto

Indica uma pausa mais duradoura que a vírgula e é usado para marcar o fim de uma oração declarativa.
A melodia da frase indica que o tom é descendente.
Permite o uso de frases curtas, evitando erros como o de concordância verbal.
Serve também para marcar abreviaturas.

“Amaro deixa o piano. As frases que compôs não satisfazem. Não importa. Amanhã talvez lhe venha uma onda boa de inspiração.” (Erico Veríssimo)

15.3. Ponto e vírgula

É um sinal que, conforme as necessidades de quem escreve, pode aproximar-se do valor da vírgula ou do ponto.
É geralmente empregado para marcar uma pausa maior que a vírgula e serve para separar orações que tem relação de sentido, deixando-as num mesmo período.
Quanto à melodia da frase, indica um tom ligeiramente descendente, mas capaz de assinalar que o período não terminou.

“Estou dormindo no antigo quarto de meus país; as duas janelas dão para o terreiro onde fica o imenso pé de fruta-pão, a cuja sombra cresci.”

15.4. Dois- Pontos

Tem como função introduzir uma explicação ou enumeração.
Costumam ser usados.

1) Para introduzir uma citação.

O inspetor parou à porta das sala e disse–nos: “Queiram seguir-me, por favor.”

2) Para introduzir uma explicação, o desenvolvimento de ideias anteriormente enunciadas.

Pânico em São Paulo: chuvas provocam inundações em muitos bairros.

15.5. Reticências

Indicam uma interrupção da frase e costumam ser usados:

1) Para expressar hesitação, surpresa.

“Vamos nós jantar com ela amanhã ?
-Vamos... Não... Pois vamos.”(Machado de Assis)

2) Para deixar o sentido da frase em aberto, permitindo uma interpretação pessoal do leitor.

“Estou certo, disse ele, piscando o olho, que dentro de um ano a vocação eclesiástica do nosso Bentinho se manifesta clara e decisiva. Há de dar um padre de mão-cheia. Também se não vier em um ano …” ( Machado de Assis )

15.6. Ponto-de-Interrogação

Coloca-se após uma palavra ou frase, indicando uma pergunta direta.
Também pode ser empregado para indicar surpresa, indignação ou atitude de expectativa diante de uma situação.

Sair? Com esta chuva? Nem pense nisso.
“Por que as pessoas em diferentes países, com diferentes crenças, não podem viver em paz?

15.7. Ponto-de- Exclamação

Coloca-se após uma palavra ou frase, indicando surpresa, espanto, alegria, admiração etc.

“Como as mulheres são lindas!” ( Manuel Bandeira)

1) Para substituir a vírgula num vocativo enfático.

“Deus! Ó Deus! Onde estás que não me ouve!” ( Castro Alves)

2) Nas frases imperativas.

“Não me deixe só!

15.8. Aspas

1) Para indicar citação de outros autores.

Como disse Machado de Assis: “ A melhor definição de amor não vale um beijo da moça namorada.”

2) Para indicar palavras ou expressões estrangeiras, gírias e neologismo.

Eles tiveram um belo “Week-ed” !

3) Para destacar palavras ou expressões que desejamos realçar, com ironia.

Quem foi o “inteligente” que fez a experiência e quase destruiu o laboratório?

15.9. Travessão

1) Para indicar, nos diálogos, a fala de cada personagem.

- A que horas volta José Diogo?

- Não volta hoje.
- Não?” ( Machado de Assis)

2) Para destacar algum elemento no interior da frase, servindo muitas vezes para realçar o aposto.
Nesses casos, podem ser usados também dois travessões.

“E por três noites padeço três anos,
Na vida cheia de saudade infinda...
Três anos de esperança e de martírio...
Três anos de sofrere espero ainda!” (Alvares de Azevedo)

“Junto do leito meus poetas dormem
- O Dante, a Bíblia, Shakespeare e Byron -
Na mesa confundidos.” (Alvares de Azevedo)

15.10. Parêntese

Costumam ser usados para isolar parte do texto que encerra alguma reflexão, comentário ou explicação.
Usa-se o parêntese:

1) Para introduzem comentários no meio do texto ou complementam dados.

Escobar sorriu e disse-me que estava para ir ao meu escritório contar-me tudo. A cunhada (continuava a dar este nome a Capitu) tinha-lhe falado naquilo por ocasião da nossa última visita.” (Machado de Assis)

As duas reformas ( eleitoral e tributária) deveriam ser aprovadas pelo Congresso.

2) Para destacar indicações bibliográficas.

“Ainda que eu falasse a língua dos homens e dos anjos, sem amor eu nada seria.” (I Coríntios 13)

3) Para separar indicações bibliográficas.

“Ler obras juvenis ou best-sellers é apenas o começo de uma longa e produtiva convivência com os livros. Essa é a lição que anima os jovens a se aventurarem na boa literatura atual e nos clássicos.”
(Bruno Meier, Uma geração descobre o poder de ler, Veja, maio 2011, p. 99)

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