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sábado, 21 de maio de 2016

Explicação das expressões curiosas usadas na língua portuguesa

 
 
 
 
 JURAR DE PÉS JUNTOS

Mãe,  eu juro a pés juntos que não fui eu. A expressão surgiu através das  torturas executadas pela Santa Inquisição, nas quais o acusado de heresias tinha as mãos e os pés amarrados (juntos) e era torturado para dizer nada  além da verdade. Até hoje o termo é usado para expressar a veracidade de algo que uma pessoa diz.
TIRAR  O CAVALO DA CHUVA

Pode  ir tirando seu cavalinho da chuva porque não vou deixar você sair hoje! No  século XIX, quando uma visita iria ser breve, ela deixava o cavalo ao relento em frente à casa do anfitrião e se fosse demorar, colocava o  cavalo nos fundos da casa, num lugar protegido da chuva e do sol. Contudo,  o convidado só poderia pôr o animal protegido da chuva se o anfitrião  percebesse que a visita estava boa e dissesse: "pode tirar o cavalo da  chuva".  Depois disso, a expressão passou a significar a desistência  de alguma coisa.


DAR COM OS BURROS N'ÁGUA


A  expressão surgiu no período do Brasil colonial, onde os tropeiros que escoavam a produção de ouro, cacau e café, precisavam de ir da região Sul à Sudeste sobre burros e mulas. O facto era que muitas vezes esses burros,  devido à falta de estradas adequadas, passavam por caminhos muito difíceis  e regiões alagadas, onde os burros morriam afogados. Daí em diante o termo  passou a ser usado para se referir a alguém que faz um grande esforço para conseguir algum feito e não consegue ter sucesso.


GUARDAR  A SETE CHAVES


No  século XIII, os reis de Portugal adoptavam um sistema de arquivamento de joias e documentos importantes da corte através de um baú que possuía quatro fechaduras, sendo que cada chave era distribuída a um alto  funcionário do reino. Portanto eram apenas quatro chaves. O número sete passou a ser utilizado devido ao valor místico a ele atribuído, desde a época das religiões primitivas. A partir daí começou-se a utilizar o termo  "guardar a sete chaves" para designar algo muito bem  guardado...


OK


A  expressão inglesa "OK" (okay), que é mundialmente conhecida para  significar que está tudo bem com algo, teve sua origem na Guerra da Secessão, nos EUA. Durante a guerra, quando os soldados voltavam para as bases sem nenhuma morte entre as tropas, escreviam numa placa "0 killed" (nenhum  morto), expressando a sua grande satisfação; daí surgiu o termo  "OK".


ONDE  JUDAS PERDEU AS BOTAS


Existe  uma história não comprovada, de que após trair Jesus, Judas  enforcou-se  numa árvore sem nada nos pés, já que havia posto o dinheiro que ganhou por entregar Jesus dentro de suas botas. Quando os  soldados viram que Judas estava sem as botas, saíram em busca delas e do dinheiro da traição. Nunca ninguém ficou a saber se acharam as botas de Judas. A partir daí surgiu à expressão, usada para designar um lugar distante, desconhecido e inacessível.


PENSANDO NA MORTE DA BEZERRA


A  história mais aceitável para explicar a origem do termo é proveniente das  tradições hebraicas, onde os bezerros eram sacrificados a Deus como  forma de redenção de pecados. Um filho do rei Absalão tinha grande apego a uma bezerra que foi sacrificada. Assim, após o animal morrer, ele ficou a lamentar-se e a pensar na morte da bezerra. Após alguns meses o garoto morreu.


PARA INGLÊS VER


A  expressão surgiu por volta de 1830, quando a Inglaterra exigiu que o  Brasil aprovasse leis que impedissem o tráfico de escravos. No entanto todos sabiam que essas leis não seriam cumpridas; assim, essas leis  eram criadas apenas "para inglês ver". Daí surgiu a expressão.


RASGAR SEDA


A  expressão que é utilizada quando alguém elogia grandemente outra pessoa,  surgiu através da peça de teatro do teatrólogo Luís Carlos Martins Pena.  Na peça um vendedor de tecidos usa o pretexto da sua profissão para cortejar uma rapariga e começa a elogiar exageradamente a sua beleza, até que  a rapariga percebe a intenção do rapaz e diz: "Não rasgue a seda que se  esfiapa."


O  PIOR CEGO É O QUE NÃO QUER VER


Em  1647, em Nimes, na França, na universidade local, o doutor Vicent de Paul D`Argent fez o primeiro transplante da córnea num aldeão de nome Angel. Foi um sucesso da medicina da época, menos para Angel, que  assim que passou a ver ficou horrorizado com o mundo que via. Disse  que o mundo que ele imaginava era muito melhor. Pediu ao cirurgião que  arrancasse os  seus olhos. O caso foi acabar no tribunal de Paris e no Vaticano. Angel ganhou a causa e entrou para história como o cego que não quis ver.


ANDAR À TOA


Toa é a corda com que uma embarcação reboca a outra. Um navio que está à toa é o que não tem leme nem rumo, indo para onde o navio que o reboca determinar.
  

QUEM NÃO TEM CÃO, CAÇA COM GATO

Na verdade, a expressão, com o passar dos anos, adulterou-se. Inicialmente  dizia-se quem não tem cão caça como gato, ou seja, esgueirando-se,  astutamente, traiçoeiramente, como fazem os gatos.


VAI TOMAR BANHO


Em "Casa Grande & Senzala", Gilberto Freyre analisa os hábitos de higiene dos índios versus os do colonizador português. Depois das Cruzadas, como  corolário dos contactos comerciais, o europeu contagiou-se com sífilis e com outras doenças transmissíveis e desenvolveu medo ao banho e horror à  nudez, o que muito agradou à Igreja. Ora, o índio não conhecia a sífilis e lavava-se da cabeça aos pés nos banhos de rio, além de usar folhas de árvore para limpar os bebés e lavar no rio as redes nas quais dormiam. Ora, o cheiro exalado pelo corpo dos portugueses, abafado em roupas que não eram mudadas com frequência e raramente lavadas, aliado à falta de banho, causava repugnância aos índios. Então os índios, quando estavam fartos de receber ordens dos portugueses, mandavam que fossem "tomar banho". 
  
 

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