quinta-feira, 11 de maio de 2017

Plural dos nomes compostos



O plural dos nomes compostos merece atenção especial, tendo em vista que as dúvidas e vacilações são frequentes.
As dúvidas envolvem dificuldades de ordem ortográfica como o uso ou não do hífen e de ordem gramatical.
Portanto, torna-se imperiosa uma esquematização que simplifique ou minore as dúvidas existentes, mesmo com as últimas propostas do Acordo Ortográfico.
Apresentamos a seguir os principais critérios a serem observados no que se refere ao plural dos nomes compostos.

a) Somente o último elemento varia

1) nos compostos grafados ligadamente:

fidalgo
fidalgos

girassol
girassóis

lenga-lenga
lenga-lengas

madressilva
madressilvas

pontapé
pontapés

vai-vem
vai-vens

zum-zum
zum-zuns

2) nos compostos com as formas adjetivas grão, grã e bel:

grão-prior
grão-priores

grã-cruz
grã-cruzes

bel-prazer
bel-prazeres

3) nos compostos de tema verbal ou palavra invariável seguida de substantivo ou adjetivo:

furta-cor
furta-cores

beija-flor
beija-flores

abaixo-assinado
abaixo-assinados

alto-falante
alto-falantes

vice-rei
vice-reis

ex-diretor
ex-diretores

ave-maria
ave-marias

4) nos compostos de três ou mais elementos, não sendo o 2.º elemento uma preposição:

bem-te-vi
bem-te-vis

5) nos compostos de emprego onomatopeico[1] em que há repetição total ou parcial da primeira unidade:

reco-reco
reco-recos

tique-taque
tique-taques

b) Somente o primeiro elemento varia

1) nos compostos onde haja preposição, clara ou oculta:

cavalo-vapor (= de, a vapor)
cavalos-vapor

ferro de abrir lata
ferros de abrir lata

mula sem cabeça
mulas sem cabeça

pé de moleque
pés de moleque

plano de ação
planos de ação

2) nos compostos de dois substantivos, onde o segundo exprime a ideia de fim, semelhança, ou limita a significação do primeiro:

aço-liga
aços-liga

navio-escola
navios-escola (= para escola)

manga-rosa
mangas-rosa (= semelhante a rosa)

peixe-boi
peixes-boi

salário-família
salários-família

c) Ambos os elementos variam

1) nos compostos de dois substantivos, de um substantivo e um adjetivo ou de um adjetivo e um substantivo:

amor-perfeito
amores-perfeitos

cabra-cega
cabras-cegas

carta-bilhete
cartas-bilhetes

decreto-lei
decretos-leis

gentil-homem
gentis-homens

guarda-civil
guardas-civis

guarda-mor
guardas-mores

lugar-comum
lugares-comuns

salário-mínimo
salários-mínimos

segunda-feira
segundas-feiras


Observação

lugar-tenente
lugar-tenentes

2) nos compostos de temas verbais repetidos:

corre-corre corres-corres
ruge-ruge ruges-ruges

Observação

Os compostos incluídos neste caso também admitem a flexão adotada pelos nomes de a, 3):

corre-corres
ruge-ruges.

d) Ficam invariáveis

1) as frases substantivas:

a estou-fraca (ave)
as estou-fraca

o não sei que diga
os não sei que diga

o disse me disse
os disse me disse

o bumba meu boi
os bumba meu boi

2) os compostos de tema verbal e palavra invariável:

o ganha-pouco
os ganha-pouco

o pisa-mansinho
os pisa-mansinho

o cola-tudo
os cola-tudo

3) nos compostos de dois temas verbais de significado oposto:

o leva e traz
os leva e traz

o vai-volta
os vai-volta

e) Admitem mais de um plural, entre outros

fruta-pão
frutas-pão
fruta-pães

guarda-marinha
guardas-marinha
guardas-marinhas[2]

padre-nosso
padres-nossos ou
padre-nossos

ruge-ruge
ruges-ruges
ruge-ruges

salvo-conduto
salvos-condutos
salvo-condutos


[1] Onomatopeia (primeiro falado pelo antigo grego "criar um nome", "fazer um nome" no sentido "afigurar um nome, afigurar um termo") é uma figura de linguagem na qual se reproduz um som com um fonema ou palavra. A forma adjetiva é onomatopaico. Ruídos, gritos, canto de pássaros, som de animal, sons da natureza, barulho de máquinas, o timbre da voz humana fazem parte do universo das onomatopeias. Por exemplo, para os índios tupis tak e tatak significam dar estalo ou bater e tek é o som de algo quebrando.
Geralmente, as onomatopeias são usadas em histórias em quadrinhos, muitas dessas onomatopeias são derivadas de verbos da língua inglesa.[1]
Em japonês as onomatopeias são divididas em giseigos, que imitam vozes e gigongos que imitam sons, nos mangás (quadrinhos japoneses), elas fazem parte da arte, no Brasil as editoras brasileiras deixam as onomatopeias ou em hiragana e katakana e no rodapé da página colocam legendas com a tradução.[3] Nos EUA, a Shonen Jump local adapta essa onomatopeias.

[2] Rejeita-se, sem razão, o plural guarda-marinhas.

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